Pobres criaturas
Que vagueiam na luz das trevas
Vacilantes no medo
Pobres criaturas
De corações desabitados
Doridos de temor
Pobres criaturas
De sorrisos subtraídos
Pela brutalidade de uma caricia
Pobres criaturas
De voz silenciada
Pela serenidade de um grito
Pobres criaturas de vida defraudada. Que vivem dias que
se fazem acumular de dor, de vazio, de medo. Onde a coragem morre na culpa da
cobardia. Pobres criaturas de corpos desfeitos, de sonhos trocados e vandalizados.
Pobres criaturas que vivem sem viver, que choram sem ninguém querer saber,
perdidas num mundo distorcido por sombras que saem impunes dos seus crimes.